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GABRIEL
O PENSADOR
no site da Som
Livre
Gabriel,
o Pensador esquenta o público
(10.março.2003)
Em mais
um lançamento da série Ao Vivo MTV, Gabriel, o Pensador
sobe ao palco da Fundição Progresso, na Lapa carioca,
para apresentar canções um pouco diferentes do que
o ouvinte de FM está acostumado. Acompanhado de banda e
convidados, o rapper explica: "Pensei que não valia
à pena repetir o que já tinha feito em estúdio.
Já entrei com esse espírito e os caras (da banda)
também deram várias idéias." O resultado
é, definitivamente, diferente. Enquanto o hip-hop contemporâneo
busca cada vez mais um encontro com a eletrônica, Gabriel
fez com que o álbum soasse mais orgânico, alternando
momentos de guitarras pesadas e bateria marcada, com baixo mais
suingado, mais funk. O ex-Mutante Liminha é um dos grandes
responsáveis por esses arranjos - assim como Marcelo Yuka
(que também divide com Gabriel a autoria de uma das inéditas
do CD) e Berna Ceppas - assinando a produção e tocando
baixo.
De acordo com
Gabriel, isso pode acontecer outras vezes. "A gente já
vinha fazendo uns shows com bastante liberdade. Não gosto
de seqüenciar, prefiro a banda me seguindo. Acho que isso
pode rolar em estúdio também, gostei de fazer assim,
foi assim com as inéditas. Programação é
um lance mais solitário. Nos discos, eu vou continuar tentando
variar a maneira de compor e a maneira de gravar."
Não foram
só os arranjos que mudaram: as letras também receberam
uma atualizada. Enquanto "Retrato de um Playboy" ganha
uma segunda versão, "Lôraburra" é
acrescida de referências mais contemporâneas. Gabriel
conta que "a 'Parte 2' de 'Retrato...' tinha letra há
mais ou menos um ano", e que "o caso Suzana Richtofen
é um exemplo de até que ponto pode chegar uma mentalidade
distorcida, valores invertidos na cabeça da lôraburra".
Sobre suas influências,
Gabriel, apesar de sempre ter citado Beastie Boys e Public Enemy,
despista: "Hoje não tenho ouvido tanto hip-hop. Gosto
de ouvir Outkast e escuto umas coisas de Portugal. Antes eu me
ligava muito nas letras do que ouvia. Agora não me preocupo
tanto. Aprendi ao longo dos anos a valorizar a parte musical,
mas acho caído no caso dos Estados Unidos que a cobrança
em cima das letras acabou, o público não tá
nem aí."
Eminem, o rapper
mais polêmico do momento, também é comentado:
"É um cara que fez inovações musicais
e que eu tô aprendendo a gostar. Mas continuo criticando
a postura, acho babaca, muita imagem e pouco conteúdo."
Gabriel acrescenta: "Não só o artista ou músico
tem que ter uma postura consciente, usar o papel de formador de
opinião, mas até o Ronaldinho."
Encerrando a
entrevista, Gabriel falou sobre sua opção de gravar
o disco com platéia aberta: "Foi uma cobrança
maior para criar o show sabendo que ia ter uma galera. A gente
ia fazer coisas novas, o lance acústico (em um bloco do
show), não podia perder a pegada. A gente manteve esse
espírito de showzão e isso foi importante no resultado
final, porque a galera cantou." (Fred Leal)
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