DA REVISTA BIZZ, PEDIU PARA QUE COLOCASSEM O PENSADOR NO PAREDÃO , VEJA O QUE ALGUNS ARTISTAS PEGUNTARAM

Revista Retira da Revista Bizz (Fevereiro de 1994)

Lá fora existe um grande tendência de fazer rap acompanhado d e músicos ao vivo. Você pretende fazer algo assim? (Roberto Frejat, Barão Vermelho)
R: Aqui no Brasil algumas pessoas já fazem isso eventualmente, mas continuam trabalhando com o DJ. A única experiência que eu tive com a banda foi com a Cidade Negra no M2000, em "Retrato de um Playboy", e gostei. Mas por enquanto, com as pessoas começando a conhecer meu show, eu quero que seja como um hip hop tradicional, pra sentir de onde vem mesmo.

Por que Gabriel o Pensador? Você é um sábio? (Bezerra da Silva, sambista)
R: Não, é aquilo que eu digo na música: "Amado por poucos/Odiado por outros/Uns me acham sábio/Outros me acham louco/Só sei que eu não sou sábio/Só sei que nada sei/Só sei que precisamos aprender/É isso que eu farei". Pra aprender, precisa pensar. Posso pensar certo ou errado, mas é assim que vou aprender.

Por que você não vai mais na onda da "Lôraburra", que é engraçada? Você não acha que esse negócio de dar toque é coisa de ginecologista? (Bussunda, humorista)
R: Eu não tento dar toque, so pego os temas e coloco pra pessoa analisar. Em piada já tem muita gente boa. O Bussunda fica com as piadas, eu fico com o lado sério.

Você diz que não é funkeiro, mas "funk" aqui no Rio de Janeiro é um termo que engloba rap, Miami bass, charm, Tim Maia, Sandra de Sá, tudo que faz um baile dançar. Será porque funk é som de preto pobre do subúrbio? (Marlboro Dj)
R: Não, porque o rap é som de preto pobre do subúrbio e o funk é o som dos donos de equipe que ganham dinheiro vendendo música de apelo fácil pro preto pobre. Esse é o público que eu quero que ouça a mensagem do rap.

Você como um bom crítico sabe que a autocrítica é muito importante para a nossa vida artística. Se você fosse fazer uma música que te descrevesse, como seria a letra e qual seria o título? (Regininha Poltergeist, cantora)
R: A pergunta é difícil de responder em pouco espaço, mas o trabalho de conhecer a si mesmo é uma coisa que estou tentando fazer. Eu já fiz uma música que falava mais ou menos sobre isso - o nome era "Idealistas" - mas não era uma coisa tão individual assim. Pra fazer uma letra bem pessoal e mais severa, eu precisava de tempo para me entender melhor.

Qual é sua? (Pivete, Pavilhão 9, Doctors Mc's, Sampa Crew)
R: Expandir o hip hop, que merecia um espaço bem maior do que já estava tendo no Brasil, sem deixa de fazer as coisas da maneira que eu quero, para que possa atingir muita gente.

Acho você debochado, sem talento e de inspiração sofrível. Você é assim mesmo ou isso é só um persongem? ( Afanásio Jazadi, jornalista e deputado estadual em São Paulo)
R: Acho que deve ser uma personagem de sua própria cabeça, porque eu modéstia à parte, sou bem talentoso e tenho uma inspiração respeitável. Mas o homem que eles amam odiar é um só, se í isso que você quer saber.

Por que todo estilo de música demora a chegar no Brasil? Você se acha responsável pela popularização do rap no Brasil? (Gastão, Vj da MTV e guitarrista da banda RIP mansters)
R: O movimento rap já existe aqui há mais de dez anos e já é muito tempo bem popular para aquele público mais segmentado. Me acho um dos responsáveis por uma maior divulgação: há pessoas que ouvem meu trabalho e não conheciam rap. Acho isso muito positivo.

Eu vi um show seu onde só tinha playboy e lôraburra. O que você acha de cantar para os tipos que ironiza? (Rodolfo, vocalista do Raimundos)
R: Eu não sei o que você estava fazendo lá. Mas eu acho isso um bom sinal. Se você também podia entrar lá é porque não era tão rígido assim. Eu não sou daqueles que acham que tem de ser undergrounud para passar mensagens de contestação. Quanto mais pessoas ouvirem minhas críticas, mesmo se forem alvo delas, mais elas estarão parando para pensar naquilo de alguma forma.

Por que em vez de ficar reclamando da América, você não reclama de coisas mais próximas como a Bizz e a MTV, que fazem tanto mal às pessoas? (Lobão, cantor)
R: Simples. Porque a América faz mais mal às pessoas que a BIZZ e a MTV juntas.

Lôraburra é boa de cama? (Zeca Camargo, diretor de programação da MTV)
R: Lôrraburra é uma questão de comportamento. Pode ser boa de cama, feia ou virgem. No sexo, ela poder ser de várias formas, o comportamento é que não muda.

Seu grande sonho é se casar com uma loura? (Maria Paula, humorista)
R: Presta atenção na letra, para entender que lôraburra não é questão de cor de cabelo. E aí depois você inventa uma pergunta melhor.  

Por que você fala mal do lugar de onde veio e fica atacando os filhinhos de papai na demagogia? Se que lutar pelos pobres, por que não faz show benificientes em vez de ficar ganhando dinheiro em cima disso? (Carlos Graice, professor de jiu-jitsu)
R: Show beneficiente eu já fiz. E ser playboy também independente de classe social. Eu não quero "ajudar aos pobres", quero ajudar aos brasileiros como um todo. O meu trabalho não é feito para ganhar dinheiro, mas não vou fazer só fazer só shows beneficentes porque eu sou um profissional. Eu critico um tipo de jovem sem personalidade que você também devia criticar, porque é o mesmo que tenta banalizar coisas como o reggae e seu próprio esporte.

Você tira o chapéu para dormir? (Christine Nicklas, VJ da MTV)
R: É só você ver o clip de "Lôraburra", que passa na própria MTV, que você vai ver a resposta.