Resenha crítica do disco "Seja Você Mesmo, Mas Não Seja Sempre o Mesmo", de Gabriel O Pensador
2001

"Branco de classe média, o carioca Gabriel O Pensador foi bastante criticado no início da carreira, por "se meter" a fazer música típica de negro da periferia. Filho da jornalista Belisa Ribeiro, o rapper despontou no início de 1993, quando os hits "Lôraburra" e "Retrato de um Playboy" emplacaram nas rádios de todo o Brasil. Com o terceiro disco, "Quebra-cabeça" (1997), Gabriel ultrapassou a incrível marca de 1 milhão de cópias vendidas, e mostrou que veio pra ficar. Mantendo a crítica social, a provocação e o bom humor, principais marcas do seu trabalho, Gabriel O Pensador lança seu quinto CD, "Seja Você Mesmo, Mas Não Seja Sempre o Mesmo" (Sony, 2001), o mais politizado da sua carreira, com letras em tom de protesto contra a injustiça social.

Produzido por Liminha, Chico Neves e Itaal Shur (que produziu Santana no multimilionário álbum "Supernatural"), o disco traz na capa uma foto de Gabriel criança, com uniforme de escola fundamental. No repertório, destaca-se a parceria de Gabriel com Lenine em "Brasa", canção que fala do sentimentos de saudade e vergonha que às vezes experimentam as pessoas que saem (temporariamente) e retornam ao Brasil. Uma influência forte do rock´n roll pode ser sentido em algumas das músicas, como "Até Quando", onde o rapper pergunta "Até quando você vai levar cascudo mudo?", na letra que, em determinados compassos, é quase um samba-rock. Além de política e cidadania, Gabriel alerta que a crise atual também é de comunicação. A incompreensão entre as pessoas está retratada na faixa "Tem Alguém Aí?", que conta com a participação de Digão, músico dos Raimundos. A saída, talvez, seja partir para o deboche e o cinismo. E o Pensador também saber fazer o jogo do deboche. "É pra rir ou pra chorar?", uma das músicas mais suingantes do CD, explicita essa proposta no refrão."