GABRIEL O PENSADOR
no SEGUNDO CADERNO do jornal O GLOBO

Gabriel O Pensador comemora 10 anos de carreira e sofistica seu rap
(fevereiro.2003)

Por Bernardo Araújo

Parece mentira, mas lá se vão dez anos desde o lançamento de “Gabriel O Pensador”, disco de estréia do rapper , que um ano antes tinha aparecido no rádio com a bombástica “Tô feliz, matei o presidente”. Depois de cinco discos, alguns estouros como “Lôraburra”, “Retrato de um playboy” (ambas do primeiro disco), “2345meia78”, “Astronauta” e “Até quando”, um filho, Tom, nascido em maio de 2002, com a mulher e cantora de apoio Aninha Lima, e várias viagens para surfar na Indonésia, Gabriel cumpre o que manda o figurino e lança seu “MTV ao vivo”, gravado no fim do ano passado, na Fundição Progresso. Além dos sucessos, o CD traz canções novas, como “Cara feia”, gravada com os Titãs, e “Mandei avisar”, parceria com Marcelo Yuka, que produziu duas das 16 músicas.

Fã iniciou campanha por disco ao vivo na internet

Gabriel conta que não havia pensado em gravar um disco ao vivo enquanto corria o Brasil na turnê de “Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo”, disco de 2001.

— Quando estava indo para a estrada, começaram a chegar uns e-mails no meu site (www.gabrielopensador.com.br) , e um fã que tem um site sobre mim me disse que estava começando uma campanha por um disco ao vivo — diz o cantor. — Como a turnê estava no começo, não estava pensando no disco seguinte. Pouco tempo depois, a MTV me chamou para conversar sobre o projeto, e acabei topando. Acho que foi ótimo.

Gabriel não quis apenas registrar o show que estava correndo o Brasil e países como Portugal e Angola:

— Pensei em incluir músicas novas e em mudar um pouco os arranjos, dar uma revitalizada nas antigas — conta ele. — Depois surgiu a idéia de fazermos um bloco acústico e outro elétrico. Como sempre acontece, foi tudo feito na última hora, mas acabou bem.

Uma das idéias mais originais do disco, a de usar dois contrabaixos acústicos ao mesmo tempo — um tocado pelo baixista de Gabriel, Ciro Cruz, e outro pelo produtor e polivalente Liminha — surgiu no último dia de ensaios.

— O Liminha tocava “Cachimbo da paz” em um velho contrabaixo que ele tem no estúdio Nas Nuvens — lembra Gabriel. — Como o instrumento era muito antigo, pedimos um outro baixo, mais novo. Quando esse chegou, no último dia, os dois entraram numa de tocar juntos, e isso acabou parando no show e no CD. Originalmente, “2345meia78” não estava nem no bloco acústico, o show seria aberto por “Cachimbo da paz”.

— Agora vamos levar o novo show para a estrada — anuncia ele. — O público, na gravação, gostou muito das mudanças nos arranjos e nas letras, além de “Retrato de um playboy II”.