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GABRIEL
O PENSADOR
no plantão
do O GLOBO (RJ)
Gabriel
O Pensador, um Dom Quixote em tempos de mensalão
(19.agosto.2005)
Leonardo Lichote - Globo
Online
RIO - O Brasil conheceu
Gabriel O Pensador em 1992, quando as rádios começaram
a tocar "Tô feliz (Matei o presidente)", uma alusão
nada elogiosa a Fernando Collor, que sofria um processo de
impeachment. Na época, o artista não tinha disco
lançado, mas a música se tornou um sucesso imediato
- refletindo a indignação geral com as denúncias
de corrupção. Treze anos depois, Gabriel se apresenta
no Canecão lançando seu sétimo CD, "Cavaleiro
andante", num momento em que CPIs batem recordes de audiência.
Novas "homenagens" vêm aí?
- De vez em quando me pedem
um novo "Matei
o presidente" ou mesmo para tocar a versão original
- conta o rapper. - Mas não precisa, prefiro outras
músicas que se encaixam bem no momento atual. Fiz show
em Brasília recentemente e improvisei em cima da letra
de "FDP" . No refrão dessa música, aliás,
a platéia aproveita para extravasar sua indignação
. As pessoas gritam "mensalão!" e coisas do tipo.
Aproveitando a situação,
Gabriel promete resgatar no show uma música do primeiro
disco, "Esperanduquê", que começa com os versos: "Eu
nada posso perante uma raça que só tem filho
da p./ Se espalha por todo um lugar chamado Brasília".
E não descarta a possibilidade de improvisar na hora
um ou outro discurso ou rap mais específico para personagens
da política atual.
O rapper continua afiado nos xingamentos
a deputados, senadores, tesoureiros e afins, mas claramente
não é o mesmo de sua estréia.
Basta ver o nome do novo CD, "Cavaleiro
andante". Em vez do assassino de presidente de outrora, aproxima
sua imagem do heroísmo romântico de Dom Quixote.
As letras seguem a mesma perspectiva: "No
meio do caminho pode ter uma pedra/ Mas no meio dessa pedra
pode ter um caminho"; "A minha fé nunca removeu montanhas/
Mas me fez passar por cima de milhões de situações
estranhas"; "Nem sempre se pode ter Fé, mas nem sempre/
A fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte"; "Passei
por toda tempestade e sei que toda tempestade passa". Por aí vai.
- Hoje, mesmo quando as coisas estão
piorando, gosto de ver que tem um outro lado, buscar uma esperança
- explica. - Mas tem hora que é difícil, dá só vontade
de desabafar mesmo, só xingar, como em "FDP".
No palco, citações a
Tim Maia, Tom Jobim e Legião Urbana
Leonardo Lichote - Globo Online
RIO - No show, há espaço
para o Gabriel O Pensador da fé e o do xingamento. O
repertório tem cinco músicas do novo disco e
o restante dos trabalhos anteriores. É claro que comparece
também o Gabriel mais leve, cronista carioca que já falou
de maneira divertida de personagens como o sujeito "na seca" que
liga para todas as mulheres da agenda ("2345meia78") e o bebum
incorrigível ("+ 1 dose"). Em "Cavaleiro andante", o
alvo da graça é o feio ("Rap do feio").
- A idéia desse rap é de
um amigo da Prainha, Renato, meu parceiro na música.
Há muito tempo ele vem com essa história de que
o feio sempre se dá bem, chegava a cantar uns versos
na praia. E aproveitava para sacanear os amigos, dizendo: "Gabriel,
convida esse aqui para gravar o clipe do rap do feio" - lembra.
No "Rap do feio", Gabriel usa de forma
bem-humorada um sampler de Tim Maia - o verso "Uh, que beleza".
O disco tem ainda samples de Tom Jobim ("Garota de Ipanema")
e Legião Urbana ("Pais e filhos").
No show, pela primeira vez na carreira
Gabriel reproduz as músicas no palco exatamente como
elas foram gravadas, inclusive as antigas.
- Sempre abri mão dos timbres
exatos no palco. Substituía um grave pesado de um bumbo
eletrônico pela bateria, em nome da espontaneidade -
diz. - Mas agora tenho tecnologia para reproduzir os mesmos
timbres sem ficar amarrado, posso seqüenciar tudo no palco
e continuar livre para brincar nas músicas.
GABRIEL O PENSADOR O cantor e compositor
lança seu sétimo CD, "Cavaleiro andante", com
músicas como "No meio do caminho" e "Deixa rolar".
Canecão: Av. Venceslau Brás
215, Botafogo - 2105-2000. Sex e sáb, às 22h.
R$ 40 (poltronas numeradas), R$ 50 (frisa lateral), R$ 60 (setor
C e mezanino), R$ 70 (setor B e balcão nobre) e R$ 80
(setor A e frisa central). 14 anos (crianças e adolescentes
de 7 a 13 anos só podem entrar acompanhados de responsáveis).
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