BATE-BOLA COM GABRIEL O PENSADOR
(Revista Jovem Pan)

Gabriel chega quente com o seu segundo disco, Ainda é só o começo, e detona mais um hit polêmico, Estudo Errado, que fala do sistema de ensino pra lá de precário no Brasil. No novo trabalho, o rapper também acaba com a raça dos machistas, dos gananciosos, dos policiais corruptos, dos evangélicos que exploram o povo e de várias outras personagens de nossa sociedade. Mas sempre com bom humor. Gabriel é um poço de simpatia: sorri com facilidade e fala pelos cotovelos. E jura que não há nenhuma diferença entre o artista e ele mesmo como pessoa: "O Gabriel e o Pensador são um só. O problema é que eu penso demais mesmo, o tempo todo, e me estresso fácil, fácil. Mas estou aprendendo a curtir o meu lance ao máximo, aproveitar tudo, o trabalho e a vida como uma coisa superprazerosa."

E aí, Gabriel, o que você ficou fazendo entre um disco e outro?
Fiz muitos shows, viajei bastante e fui até para Portugal, onde Lôraburra e Lavagem Cerebral fizeram o maior sucesso. Também viajei para os Estados Unidos e depois comecei a trabalhar o novo disco.

Em Portugal, parece que você teve de fazer um show em uma cadeira de rodas...
É verdade. Machuquei o joelho em um jogo de futebol e fiquei na maior paranóia: cancelava ou não os shows? Aí resolvi encarar e deu tudo certo.

Na canção Como um vício, você diz que não sabe o que seria da sua vida sem o hip-hop. Falando sério, o que você faria se não cantasse rap?
Seria jornalista. Cheguei a cursar até o segundo semestre de Comunicação. Queria ser um jornalista opinativo, como o Caco Barcellos e o Jô Soares, meus ídolos. Mas é um espaço difícil de conseguir, demora muito tempo.

Como pintou o rap?
Eu já escrevia minhas letras, e o pessoal da faculdade me incentivava. Então gravei To feliz (Matei o Presidente), mandei para a rádio carioca RPC, em setembro de 1992, e a música estourou - ficou cinco dias em primeiro lugar, depois resolveram censura-la. Mas a MTV fez uma reportagem comigo, todo mundo se ligou e eu fui bater na porta de várias gravadoras. Acabei assinando contrato com a Sony.

E quais os artistas de hip-hop que você mais curte?
Ice-T, Geto Boys, NWA, Public Enemy. Os meus ídolos mesmo são o Guru e o KRS1, que considero os rappers mais inteligentes. Também sou louco pelo Bob Marley, o cara que realmente me inspirou a fazer música.