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GABRIEL
O PENSADOR
no Diário de SP (www)
Gabriel O Pensador enfrenta os moinhos
(17.junho.2005)
Rapper carioca utiliza músicas de Tom Jobim e Renato Russo para criticar a violência no CD “Cavaleiro”
Donizeti Costa
Gabriel O Pensador ainda não desembainhou sua lança para enfrentar moinhos, mas está por um fio. Em seu novo CD, “Cavaleiro Andante” (Sony-BMG, preço médio: R$ 30), ele quase encarna a figura de Dom Quixote De La Mancha, o célebre anti-herói do escritor espanhol Miguel de Cervantes, para enfrentar inimigos impossíveis de serem batidos.
Os adversários, porém, nada têm de imaginários: estão em cada esquina do Rio de Janeiro ou mesmo de grandes centros como São Paulo. Se fazem presentes, de forma ostensiva, por exemplo, em “Bossa 9”, em que Gabriel se apóia no refrão de “Garota de Ipanema” para constatar que o Rio continua lindo mas que a segurança local deixa muito a desejar. “É deslumbrante a vista, mas é bom ficar esperto/ que os ladrões vêm pedalando e dão o bote certo/ é bicicleta, poeta, e a polícia não acompanha”, declama O Pensador, esgrimindo cada vez melhor as palavras.
“Foi um produtor americano que me alertou que ainda não havíamos sampleado esta música do Tom (Jobim) e Vinicius (de Moraes). Então resolvemos fazer algo especial para ela”, conta. O sampler de “Garota de Ipanema” foi feito em cima da interpretação do próprio Tom, cuja voz distorcida, curiosamente, soa como a de um músico de rua numa gravação artesanal.
Tiroteio real
Outro músico celebrado por Gabriel é Renato Russo. O brasiliense acaba entrando como co-autor de “Palavras Repetidas”, em razão do uso do refrão de “Pais e Filhos”, gravado pela Legião Urbana, que diz “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã/ porque, se você parar pra pensar, realmente não há”. Na abertura da faixa surpreende a gravação de um tiroteio real, de revólveres e submetralhadoras, que Gabriel “sampleou” da varanda de sua casa. “Moro bem perto da Rocinha”, diz.
Poeta que é, ele também toma emprestada a imagem criada por outro na faixa-título do CD, o sétimo da carreira: “No meio do caminho pode ter uma pedra/ mas no meio desta pedra pode ter um caminho/ a pedra no caminho pode ser um diamante”, supõe ele, num jogo de palavras que remete a “No meio do Caminho”, de Carlos Drummond de Andrade.
Negra Lee e Detonautas são os convidados especiais do álbum. Ela esbanja musicalidade soul em “Deixa Rolar” e o grupo traz sua pegada roqueira a “Sorria”, que brinca com os conselhos e ditados populares.
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