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Matéria
de lançamento do disco "Seja Você Mesmo,
Mas Não Seja Sempre o Mesmo" no jornal Diário
do Grande ABC
(2001
"Rap
Para Todos Os Manos
Débora
Nascimento
Da equipe do DIARIO
O
rap explode nos EUA, assim como o pagode no Brasil, quer dizer,
como o forró no Brasil, ou melhor, como qualquer música
que esteja no modismo da vez no Brasil. Apesar disto, o gênero
norte-americano vem emplacando cada vez mais nestas terras tropicais.
Uma prova disso é quantidade imensa de lançamentos
que chegam às lojas. Um deles é o de Gabriel, O
Pensador, que, aliás, por não ter nascido na periferia
e por outras "cositas" mais, não chega a ser
considerado um rapper por muitos colegas do movimento hip hop.
O rapaz acaba de lançar o quinto disco, Seja Você
Mesmo (Mas Não Seja Sempre o Mesmo), pela gravadora Sony.
A bolacha vem se juntar a Gabriel, O Pensador (1993), Ainda É
Só o Começo (1995), Quebra-Cabeça (1997)
e Nádegas a Declarar (1999). Para aumentar a polêmica
em torno do nome do rapaz, o novo CD traz uma grande diferença
em relação aos anteriores, vem recheado de guitarras.
A inclusão do riffs foi um sintoma da participação
do produtor Liminha. O eterno baixista fez questão de tocar
a guitarra que ultimamente vem empunhando na banda Os Silvas (o
baterista é João Barone, dos Paralamas).
Esse trabalho de produtor foi dividido com Itaal Shur, mais conhecido
como o parceiro de Carlos Santana na música Smooth, uma
das faixas do premiado Supernatural. "Itaal já conhecia
o disco Nádegas a Declarar (1999). Quando fui fazer show
em Nova Iorque no ano passado, a gente se encontrou. Ele mora
lá. Então sugeriu que gostaria de produzir meu disco
novo. Vou ser sincero, fui ao estúdio dele para ver se
a gente ia se dar bem e se o cara era bom mesmo. Quando ele veio
trouxe um CD (gravável) com seis músicas para eu
colocar a letra", conta o rapper carioca, com o bem-estar
característico.
Outra parceria inusitada do disco traz a assinatura de Lenine.
Neste caso aconteceu o contrário. Primeiro, Gabriel entregou
a letra ao compositor pernambucano, que depois criou a música.
"Ele é musicalmente perfeito. Se eu já era
fã, agora ganhei um amigo", elogia o rapper. A faixa
Brasa aborda a saudade que o brasileiro tem dasua terra, mas que
apesar disto não esquece dos problemas sociais. Dizem os
versos iniciais: "Um poeta já falou, vendo o homem
e seu caminho: "o lar do passarinho é o ar, e não
o ninho".
A citada faixa teve produção de Chico Neves (também
responsável pela programação e baixo), famoso
produtor de O Dia em Que Faremos Contato, de Lenine. A banda que
acompanhou Gabriel na música foi formada pelo guitarrista
Pedro Sá (que hoje integra o conjunto de Caetano Veloso
no show Noites do Norte), o tecladista Marcelo Lobato e o baterista
Domenico (que acompanha Moreno Veloso no CD Máquina de
Escrever).
Aliás, a participação maciça de instrumentistas
nesse Seja Você Mesmo demonstra uma outra novidade no perfil
do Pensador. "Não tenho usado muito samples. Já
usei bastante. Além de querer modificar a minha música,
também deixei de utilizá-lo porque dá muito
trabalho por conta das questões jurídicas. Fora
isto, tenho músicos muito bons me acompanhando", destaca
o artista.
A citada mudança (evolução?) do rapper também
se evidencia no projeto gráfico do disco. A foto da capa
traz o moleque Gabriel (com seus sete, oito anos de idade) sorrindo
para a câmera, em frente ao prédio onde morava a
sua avó. Na contracapa, Gabriel reaparece no mesmo local
onde sua vovó ainda mora. A diferença é que
está agora com 27 anos e se apoia no mesmo muro da casa
de Dona Eneida (que, no momento, apresenta uma enorme grade).
Como se vê, algumas coisas não permaneceram as mesmas.
Gabriel, por sua vez, continua afiado na função
de letrista. Se não há muito o que esperar na parte
melódica, por outro lado sua capacidade de contar histórias
e brincar com as palavras vem se aprimorando. Com isto, ele escapa
da maldição do rap nacional, que freqüentemente
cai nas armadilhas típicas do gênero, as frases clichês.
Embora algumas tentativas de fuga da mesmice de temas desemboquem
em músicas polêmicas como Lôrra Burra, 2345Meia78,
Tô Feliz, Matei o Presidente e Cachimbo da Paz (parceria
com o "hiteiro" Lulu Santos).
Mesmo assim, Gabriel afirma que suasescapulidas da trilha do hip
hop são naturais. "Eu concordo que mudei bastante
a métrica da letra. Se não achar que é rap,
paciência. A minha própria identidade foi ficando
bem mais clara. Um amigo meu falou certa vez, 'você pode
saber que essa música não é rap, mas sabe
que é do Gabriel'. Mas isso não é de agora.
Tenho esse meu jeito particular de usar o rap. Se essas minhas
mudanças são saídas para a sonoridade do
rap, não sei dizer. Não estou acompanhando muito
o movimento. Tô meio por fora", afirma com a maior
tranqüilidade do mundo. Na boa."
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